Em 1996 o deputado estadual do PSDB, Vaz de Lima, criou projeto que visava começar a cobrar mensalidade dos estudantes das universidades estaduais paulista. Em junho do mesmo ano, quando o projeto seria votado, nós, estudantes das universidades públicas de São Paulo, organizados em nossos diretórios acadêmicos, lotamos quantos ônibus pudemos e ocupamos as galerias da câmara dos deputados. Houve uma tentativa de defesa do projeto mas nada se ouviu diante do barulho das galerias. A emenda acabou sendo retirada. Vitória do movimento estudantil que nunca saiu nos jornais. Mesmo. Procurei hoje no acervo da Folha de São Paulo e tudo que encontrei são as matéria que aqui divulgo, falando apenas sobre o projeto. O único comentário sobre a retirada do projeto foi feito em um artigo do dia 27 de junho de 1996, mas que não fala do movimento que nós estudantes realizamos, apenas sugerindo que teria sido uma manobra política por conta da proximidade das eleições. E assim ficou registrado nos anais da história (sim, os arquivos dos jornais ainda serão fontes históricas...) que a proposta surgiu e foi retirada por mero interesse político. Os estudantes? Nem uma palavra sobre nós que ali estivemos. Para o registro futuro é como se nada tivesse acontecido. Então decidi deixar na rede, pelo menos, o registro daquele movimento que reverteu uma punhalada no ensino público, em um momento em que outras punhaladas do mesmo partido estão sendo articuladas. Nós nunca estivemos dormindo.
domingo, 3 de agosto de 2014
Pela memória do movimento estudantil de 1996
Em 1996 o deputado estadual do PSDB, Vaz de Lima, criou projeto que visava começar a cobrar mensalidade dos estudantes das universidades estaduais paulista. Em junho do mesmo ano, quando o projeto seria votado, nós, estudantes das universidades públicas de São Paulo, organizados em nossos diretórios acadêmicos, lotamos quantos ônibus pudemos e ocupamos as galerias da câmara dos deputados. Houve uma tentativa de defesa do projeto mas nada se ouviu diante do barulho das galerias. A emenda acabou sendo retirada. Vitória do movimento estudantil que nunca saiu nos jornais. Mesmo. Procurei hoje no acervo da Folha de São Paulo e tudo que encontrei são as matéria que aqui divulgo, falando apenas sobre o projeto. O único comentário sobre a retirada do projeto foi feito em um artigo do dia 27 de junho de 1996, mas que não fala do movimento que nós estudantes realizamos, apenas sugerindo que teria sido uma manobra política por conta da proximidade das eleições. E assim ficou registrado nos anais da história (sim, os arquivos dos jornais ainda serão fontes históricas...) que a proposta surgiu e foi retirada por mero interesse político. Os estudantes? Nem uma palavra sobre nós que ali estivemos. Para o registro futuro é como se nada tivesse acontecido. Então decidi deixar na rede, pelo menos, o registro daquele movimento que reverteu uma punhalada no ensino público, em um momento em que outras punhaladas do mesmo partido estão sendo articuladas. Nós nunca estivemos dormindo.
sexta-feira, 4 de julho de 2014
Igualando o inigualável
O colunista da Folha, Samuel Pessoa, publicou texto afirmando que a cobrança de mensalidade nas universidades públicas teria o mesmo sentido da cobrança do pedágio urbano. O colunista, psdebista, confunde as coisas. Andar de carro é um direito inerente ao direito de consumir e não do de locomoção. Todos são livres para se locomover, como pedestres. Todos que possuem dinheiro podem comprar um carro, o que facilita a locomoção mas gera problemas urbanos e sociais, daí o pedágio urbano como solução que se adota em grandes metrópoles pelo mundo. O ensino não se enquadra na mesma categoria. A sociedade precisa de trabalhadores nas fábricas, de agricultores, de médicos, de advogados, de professores, de engenheiros, enfermeiros etc... É sim de interesse da sociedade que existam pessoas com formação universitária. A educação não é uma mercadoria apesar do que pensam e fazem alguns gestores de redes de ensino. O acesso à educação significa o acesso ao conhecimento produzido coletivamente pela humanidade. É um direito. Não é como o direito de dirigir um veículo. Ter acesso à educação não aumenta o buraco da camada de ozônio, não polui o ambiente, não gera congestionamentos. A comparação feita pelo colunista é digna de repúdio, mas revela bem o tipo de mentalidade que se arrasta no governo do estado de São Paulo.
sexta-feira, 16 de maio de 2014
Quem sempre esteve nas ruas...
quinta-feira, 15 de maio de 2014
A beleza que não é para o povo - Pensamentos sobre a Copa e as Olimpíadas
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
domingo, 25 de agosto de 2013
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Médicos saem às ruas mas não vão ao Norte e Nordeste...
Brasil desiste de vinda de 6.000 médicos cubanos
Notícia preocupante. Vamos lá dizer os motivos. As reclamação dos médicos brasileiros que foram para as ruas é de que o necessário é que haja investimentos na saúde, que a carreira seja atrativa, que então não faltarão médicos nas regiões mais pobres do Brasil. Mentira pura! Se houvesse essa tal estrutura nessas regiões elas não seriam o que são hoje, então não iriam precisar atrair médicos de outros estados. Essa estrutura de que falam demora para construir, ao contrário do que algumas mentes toscas pensam não se reforma uma situação ruim por decreto ou simplesmente comprando materiais, como bem demonstram algumas obras de hospitais aqui mesmo do Sudeste que estão paradas com equipamentos estragando. E enquanto não se constrói tal estrutura o que pedem ao povo? Que espere! Que aguarde que os abnegados profissionais médicos irão para lá quando as coisas forem melhores! Balela pura! Quem vive no Sudeste não quer ir morar nas outras regiões por vários outros motivos! Já se divulgou bastante que nem mesmo salários altos atraíram médicos para os concursos na região Norte e Nordeste. Por que? A verdade é simples: não eram altos o bastante! Um salário de 20 mil reais é pouco para os padrões almejados por uma grande parte dos que hoje cursam medicina. A média salarial de suas famílias é muito maior do que isso, principalmente entre aqueles que estudaram nas instituições privadas. Não é só a estrutura de trabalho o problema, é a estrutura de vida, a cultura diferente, tudo aquilo com o qual estão acostumados e vão ter que deixar de lado. Isso tudo vai mudar por decreto? Já sabem a resposta.Existe também o problema da tal "pressão" que veio das ruas. As coisas estão se misturando. Sair pedindo mudanças e conseguir dobrar parte dos políticos é uma coisa. Mas agora parece que estamos diante de uma situação extrema: saio para a rua e não importando a minha real representatividade quero ser atendido! Ainda que não faça o menor sentido dentro do quadro geral da Nação! Já ouvi mais de uma vez que tudo não passava de uma articulação para um golpe comunista que esses médicos de Cuba iriam ajudar a preparar! Não faz o menor sentido! A galera que sai de Cuba para trabalhar como médico reclama do regime cubano justamente por não lhes permitir acumular dinheiro! A própria matéria que compartilho mostra isso! Esses médicos cubanos não são agentes de propagação do comunismo! Claro que pode haver alguns mais próximos de tal ideal, mas isto não é diferente do que temos aqui mesmo no Brasil! E tem outra: se os comunistas forem aqueles que no final das contas vão até lá atender a população pobre que precisa um viva para eles! Está com medo? Sair em passeata na avenida paulista com dispensa de trabalho e táxi pago pelos organizadores é fácil. Difícil é encarar a realidade. Existe utilização política da questão? Claro! É óbvio! Em tudo que fazemos há interesse político, de um lado e de outro e no meio também!
Agora a parceria se voltou para Portugal e Espanha. Quero ver alguém começar a gritar! Duvido. Parece que não conseguimos nos livrar do estigma da colonização! Cubanos e bolivianos, ex-colônias como nós mesmos, não podem vir, mas europeus descendentes das nossas antigas metrópoles podem. É o ressurgimento do desejo da elite nacional (sim, os médicos estão bem no meio de tal elite e nem preciso dizer os motivos) de tornar o Brasil mais europeu? No início do século XX chamaram isso de branqueamento e sabemos (pelo menos alguns de nós...) bem no que resultou. Não temos disposição de ir até tais regiões, então chamamos os europeus para mais uma "missão civilizatória nos trópicos" antes que ela vire um reduto de comunistas latinos!
Conheço profissionais médicos que tenho verdadeiro orgulho de ter como colegas e amigos. Pessoas que não se enquadram na descrição que aqui apresento. Tenho certeza que existem outros. Mas a voz que sai para as ruas nem sempre é a voz da real necessidade e nem mesmo é sempre a voz da maioria! Negar os problemas da saúde pública seria uma tolice, mas imaginar que é preciso resolvê-los todos primeiro antes de começar a atrair médicos para tais regiões é uma insanidade! A maioria das unidades de saúde são geridas por médicos! A gestão dos hospitais está nas mãos de médicos! O ministro da saúde é médico e por todo o seu ministério existem médicos! Precisamos então de médicos gerindo tal mudança? Eles precisam estar em tais regiões primeiro! Orientando a mudança! E se for para ter um estrangeiro fazendo isso prefiro um que tenha identidade latina, de nossas luta, de nossos problemas.
E agora que o governo cedeu? O que irá acontecer? A pergunta voltou aos médicos que foram para as ruas! Não serão mais os cubanos, serão os portugueses e espanhóis, então acabou o problema? Ficaram mais aliviados? Se for assim toda a manifestação nas ruas que a mídia ficou divulgando não era uma manifestação dos médicos pela saúde, mas uma manifestação política contra Cuba! E os médicos nacionais? Vão continuar onde estavam, enquanto outros estrangeiros podem ir para as regiões brasileiras sem médicos. Fica tudo do modo que estava. E depois não vai adiantar falar que foi tudo culpa do governo, pois o tal "gigante acordou" e foi para as ruas ajudar tudo a ficar no seu devido lugar. Detesto a imagem do gigante que acorda. O gigante é sempre nas histórias uma força destruidora, quase sem cérebro, que sai quebrando tudo sem saber bem o motivo, algumas coisa até mesmo sem ver direito devido ao seu tamanho. O gigante nunca é a imagem do construtor do novo, mas é a força primitiva destruidora que nos arrasta para o estado anterior, que arrasa tudo. Esse tipo de gigante eu gostaria de ver fora das ruas, cedendo espaço para o povo e suas necessidades.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
O que muda com a derrota da PEC-37?
Por tudo isso espero que o MP se sinta pressionado, que de fato assuma o papel que as ruas estão pedindo. Isso significa, entre outras coisas, avançar nas investigações de corrupção que envolvem partidos da oposição (que antes eram governo), PSDB, DEM, que simplesmente não aparecem em lugar nenhum! E espero que depois signifique avançar forte e investigar a sonegação fiscal das empresas e a situação trabalhista de seus funcionários. Por que pressionar aqueles que são eleitos pelo voto popular não é o mais difícil, conforme as pessoas parecem estar aprendendo. O difícil é fazer a lei que se ganha no grito se tornar realidade cotidiana.
sexta-feira, 26 de abril de 2013
O congresso, o supremo e essa tal democracia...
sábado, 20 de outubro de 2012
Crenças e deduções
Já que basta acreditar para condenar quando temos tal poder (como o julgamento tem demonstrado) deixe-me dizer aqui o meu credo:
- creio que FHC, Serra e demais PSDBistas compraram os votos da emenda da reeleição, tal como denunciado pelos jornais da época;
- creio que PSDB e seus aliados levaram muito dinheiro com a privatização de nossas estatais, tal como denunciado pelos jornais da época;
- creio que o mensalão do DEM e do PSDB, por ser mais antigo, com certeza movimentou muito mais dinheiro do que o visto até agora;
- creio que, seguindo a lógica de que não possível que o chefe não saiba o que faz o subordinado, devemos condenar todos os militares que estavam na ativa durante a Ditadura Militar e que portanto foram coniventes com as torturas, mortes e desaparecimentos;
Poderia prosseguir, mas falta paciência. Até agora nada indica nossa mudança de rumos, mas apenas o de sempre: o judiciário sendo utilizado para interesses políticos (quando não é de um lado é do outro). Finalizo dizendo que também creio que houve movimentação ilegal de dinheiro no caso agora em julgamento. Mas ninguém comprovou que efetivamente algum voto foi comprado, tal percepção é crença, dedução feita através de uma perspectiva política. É uma pena. Mas queremos mesmo uma justiça que trabalha na base da crença e das deduções?
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Dirceu e o direito
Por isso comento aqui o caso de Dirceu. Não por acreditar cegamente que seja inocente, afinal já afirmei que a mentira é uma característica humana. Mas para lamentar a transição para uma justiça materialmente irracional. A presunção de inocência e o ônus da prova que cabe a quem acusa possuem um significa profundo, que não se enquadra na afirmação "não é possível acreditar...". Justamente pelo fato de que todos podem mentir é que a Justiça, que pretende ser isenta, precisa verificar o que dizem as provas, não somente o que afirmam as pessoas. E hoje existem recursos diversos que podem ser empregados. Se ao final tudo se resumir em uma questão de interpretação das provas, uma questão de opinião portanto, o preceito é o favorecimento do réu. E nada disso significa afirmar categoricamente que o réu é inocente, mas simplesmente que não foi possível condená-lo, pelo menos sem alterar a lógica da própria lei.
Diante desse quadro espero somente que a justiça mantenha-se coerente e siga o mesmo preceito no julgamento do PSDB e do DEM, confirmando que se trata aqui da aplicação literal da lei, da manutenção de sua lógica formal racional, ou pelo menos materialmente racional. Caso contrário estaremos diante do tal materialismo irracional, que muda conforme o réu e os interesses em jogo, fato que somente alimenta o argumento do julgamento político e não da busca por uma mudança de rumos. E devemos tomar cuidado: o direito aplicado conforme uma lógica materialmente irracional abre caminho para outra lógica, a de que os fins justificam os meios, o que sempre é temeroso.
Por isso afirmo que ainda falta muito para a nossa justiça me convencer de que algo realmente mudou, mas estamos no momento de acompanhar e cobrar tal mudança.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Adversidades e superações: Olimpíadas
Os eventos com atletas brasileiros nas Olimpíadas, acusados e terem "amarelado" e de inventarem desculpas para não terem conquistado medalhas, também me chamaram a atenção. Vários são os fatores levantados pelos atletas, de elementos técnicos como o já famoso vento, até a ausência real de apoio e estrutura. São fatores reais. As empresas brasileiras realmente não investem tanto quanto poderiam em nossos talentos esportivos, o que na verdade não difere muito do posicionamento das mesmas no que se refere ao sustento de outras atividades, como a pesquisa a científica, que permanece sendo realizada quase exclusivamente nas universidades públicas. No esporte não é diferente: se o governo não oferecer a tal "bolsa atleta" muitos vão passar a vida esperando um patrocínio que não vai chegar das empresas.
Mas também é verdade que os atletas que estão nas Olimpíadas chegaram lá, apesar de todas essas adversidades. Como o caso dos dois irmãos que chegaram à final do boxe. Origem absolutamente humilde, cresceram sendo treinados pelo pai socando as bananeiras do sitio em que a família ainda vive. Algumas vezes precisavam jantar na Igreja que servia um sopão pois em casa não havia comida. E chegaram nas Olimpíadas. Que fatores determinaram o sucesso deles e o fracasso dos outros? Tudo que for dito será especulação. O esporte também envolve sorte e ela algumas vezes é determinante. As críticas surgem pois as pessoas não querem ver a lamentação das nossas mazelas nas Olimpíadas, afinal todos as conhecem e sabem que são verdadeiras. Ao ligar a TV querem ver o empenho máximo, a superação das adversidades, ainda que seja para terminar caído pela força do vento. É a resposta que podemos dar contra uma situação geral que foge ao nosso controle, que insiste em reproduzir a pobreza e as desigualdades.
sexta-feira, 30 de março de 2012
O que é importante e passou batido...
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
A luta por um ensino de baixa qualidade
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Passado e presente
É também o abandono geral da população. Sem educação, sem emprego, sem perspectiva. E mesmo os que estão empregados estão abandonados à baixa remuneração, tema que parece não mais fazer parte do noticiário nacional. Como esperar que essa população se importe e se identifique com monumentos de um passado cúmplice de tudo que hoje vivem? Vimos a rápida reconstrução do Japão após a tragédia do terremoto seguido por um tsunami, além do vazamento nuclear. No mesmo tempo vemos que as cidades atingidas pelas chuvas do ano passado continuam do mesmo jeito, agora correndo novos riscos com as chuvas. Dinheiro houve. Mas também houve o desvio e a fraude. Monumentos do passado? São nomes de personagens que poucos realmente conhecem. Mas não são somente as classes populares, reféns do ensino público sistematicamente destruído, que abandonam o passado. As elites também. Preservam o que interessa e parece inofensivo. Mas não desejam que o resgate cotidiano da história cumpra seu papel reparador, de compensar os muitos que sofreram para que poucos se sobressaissem. Sim! Conhecer o passado é saber o que precisa ser feito para melhorar o presente, buscando a tal justiça social. Quando ela chegar, e esperemos que chegue, teremos então condições de olharmos para nosso passado e nos orgulhamos do muito que progredimos e dos que contribuíram verdadeiramente para tanto.
sábado, 10 de dezembro de 2011
Nenhuma palavra dos defensores da "liberdade imprensa"
Saiu o livro de Amaury Ribeiro, "A privataria tucana", sobre a corrupção do governo FHC nas privatizações, envolvendo inclusive o nome de Serra, que por sinal fez tudo que estava ao seu alcance para impedir a publicação. Onde estão agora os defensores da liberdade de imprensa? Todos que gritaram e levantaram suas vozes contra o PT e a discussão da lei de imprensa? Quero ver outro editorial do Estadão defendendo a ética na política, o voto em Serra e, claro, a luta contra a censura. Quero um editorial indignado no Jornal Nacional defendendo a liberdade e informação. Onde está a Veja até agora? Paladinos da liberdade de imprensa! Estamos bem arranjados!



