domingo, 1 de dezembro de 2019
sexta-feira, 29 de novembro de 2019
domingo, 22 de setembro de 2019
Censura na educação
Um dos elementos centrais da lógica militar é a obediência hierárquica. Faz todo sentido se você imagina a função de ir lutar uma guerra. Essa lógica de obediência é também uma lógica de estratégia, um meio para atingir uma finalidade que é a vitória, quer seja como agressor ou como defensor. Na estratégia você pode usar todos os recursos, inclusive a mentira, o disfarce. Então aquilo que será passado, informado ao soldado, será controlado pois está centralizado na cadeia de comando hierárquica. O soldado não precisa saber tudo, apenas obedecer. A informação que ele recebe é previamente filtrada, o quê em termos leigos significa que ela é censurada. Pode inclusive ser uma mentira que sirva para motivar sua ferocidade, pintando o inimigo do momento como um demônio por exemplo. Então quando começam a aplicar a lógica militar na educação da população, unificando currículos sem qualquer debate público, criando escolas sem espaço de livre expressão do pensamento, controlando até o corte de cabelo dos jovens, é sim uma forma de censura e eles estão mentindo ao dizer que não é pois eles possuem um objetivo a atingir e estão fazendo de tudo para isto.
quinta-feira, 19 de setembro de 2019
Esquerda esfarelada
Na briga interna da esquerda a realidade está perdendo feio, igualzinho quando a direita abre a boca. Então no espirito de organizar as coisas, segue! Haddad teve 29,28% dos votos no primeiro turno. Ciro teve 12,47%. No segundo turno Haddad subiu para 44,87%, uma diferença de 15,59% do primeiro. Todos os outros candidatos juntos no primeiro turno receberam 12,22% dos votos. O MiJair Bolsolixo recebeu 46,03% no primeiro turno e 55,13% no segundo, um ganho de 9,1%. E agora fica interessante... Subtraindo os 15,59 que o Haddad cresceu dos 12,47% do Ciro temos 3,12% de diferença. Subtraindo essa diferença de 3,12% dos 12,22% de votos dos outros candidatos temos 9,1%, o mesmo valor que o Bolsolixo cresceu no segundo turno (claro que é uma coincidência numérica, a transição de votos não é automática). Lembro que os outros candidatos de esquerda receberam juntos 1,66% dos votos, indicando que pessoas que votaram em candidatos fora da esquerda migraram para Haddad, já que o total de brancos, nulos e abstenções aumentou no segundo turno em 1,75% (de 29,12% para 30,87%). Ainda que existam possíveis casos bizarros de migração de votos o resultado final não mente. Aliás a verdadeira migração bizarra de votos foi daquelas pessoas que votariam somente no Lula e migraram para o Bolsolixo quando o petista foi impedido, que segundo pesquisa divulgada na época representavam cerca de 6,2% dos eleitores de Lula (https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45323102). Se alguém acha mesmo que Haddad não recebeu a imensa maioria dos votos de quem votou no Ciro por causa da viagem para a Europa é um alguém fora da realidade. Claro que foi um gesto pequeno de Ciro, faltou-lhe visão e sobrou fúria. Mas também faltou em toda esquerda, que não foi capaz de convencer aqueles 30,87% de nulos, brancos e abstenções. A viagem para a Europa certamente não foi o motivo da derrota. Perder tempo com essa briga é um triste sinal do abismo profundo em que nos encontramos.
quarta-feira, 4 de setembro de 2019
Bruce Lee
Trump brigando com a China e temos dois filmes, A Origem do Dragão de 2017 e esse agora do Tarantino, em que Bruce Lee é retratado negativamente. No de Tarantino ele é retratado como farsa até mesmo como lutador. Nada sobre o racismo que ele sofreu nos EUA, nada sobre como a imagem dos chineses no cinema ocidental era antes de Lee, nada sobre papéis que ele perdeu por ser "chinês demais", ou sobre como precisou ir fazer filmes na China para só então ser reconhecido. Dois ataques sem qualquer fundamentação ao cara que mudou o cenário dos filmes de ação e a imagem dos orientais no cinema do ocidente. Neurose minha? O fato a ser observado é quais são os interesses das pessoas que financiam tais filmes, o que faz alguém olhar para um roteiro e decidir que ele vale o seu dinheiro. Não é só no retorno da bilheteria que estarão interessados, mas na mensagem que vão ajudar a construir. A destruição de ícones é uma das etapas da guerra cultural contemporânea. Para derrubar um partido você destrói a imagem de todas as suas lideranças. Para estimular o ódio aos chineses nos EUA você precisa eliminar o seu principal e mais influente ícone: o chinês que batia em ocidentais.
terça-feira, 3 de setembro de 2019
Coringa...
sábado, 31 de agosto de 2019
Privacidade e conhecimento
Vendo "Privacidade Hackeada" na Netflix e pensando na catástrofe analítica das esquerdas. Tudo que aparece ali, tirando os detalhes de tecnologia mais recente, já são processos conhecidos e analisados. O fenômeno dos indecisos afetando uma eleição já foi amplamente mapeado, inclusive em estratégias de mudança de comportamento, do qual o exemplo emblemático foi a edição do debate entre Collor e Lula pela Globo. A própria fundação Perseu Abramo editou livros com pesquisas sobre isso. Parece que ninguém leu. Eu escrevi sobre isso partindo de uma pesquisa de iniciação científica que orientei! A questão é que agora os recursos são infinitamente mais precisos e rápidos, contando inclusive com uma máquina religiosa de proliferação de valores. Vale assistir, mas também vale sair da postura cômoda de "Nossa! Não percebemos!". A esquerda também precisa começar a ampliar seu horizonte intelectual para além das amarras de sempre.
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
Carona
sábado, 22 de setembro de 2018
Bolsominions...
quinta-feira, 21 de junho de 2018
Enjaulados
Pequena elite
domingo, 5 de novembro de 2017
Em um copo de cerveja
segunda-feira, 1 de maio de 2017
A entrevista que nunca saiu
(2) O atual momento político apenas reforça a ilegitimidade das medidas aprovadas. Estamos em uma crise política enorme, com um presidente com 4% de aprovação e que chegou ao poder em um golpe. Sem a queda do governo Dilma dificilmente tais medidas estariam sendo aprovadas. E não são necessárias em sentido nenhum. É tudo uma grande farsa! Os políticos que estão no governo são praticamente os mesmos que estavam antes! Se as políticas de Dilma estavam erradas foram eles que as aprovaram! E foram eles mesmos que pararam de votar qualquer coisa no auge da crise política, inviabilizando qualquer medida de contenção da crise econômica. Agora aparecem gritando que é tudo responsabilidade do governo anterior, que já caiu há mais de um ano! Mas eles eram o governo anterior! Sempre foram. E a promessa dos empresários que hoje defendem a reforma trabalhista era, justamente, que a recuperação econômica aconteceria em um mês após a derrubada de Dilma. Agora defendem que o trabalhador é o problema, que ele custa muito caro. Só não vemos qualquer um deles falando em aumento salarial!
sexta-feira, 31 de março de 2017
Memória de quando tínhamos direitos...
Lembrei da madre Maria. Era diretora do colégio religioso onde estudei com bolsa pois minha mãe trabalhava ali como professora. Madre Maria era rigorosa. Quando ficava sabendo que um professor não tinha matriculado os filhos no colégio chamava o mesmo para conversar. É que ela achava um absurdo quando algum dos seus professores não matriculava ali seus filhos. Dizia que era a melhor prova da qualidade de ensino de uma escola: que todos os professores tivessem seus filhos estudando nela! E todos tinham bolsa, conforme determinava o acordo coletivo. Lembrei dela, muito, quando vi que o sindicato patronal não assinou a convenção coletiva dos professores, que venceu e deixou de valer levando com ela a obrigatoriedade das bolsas para filhos de professores (além de vários outros direitos). Palmas para você, professor, trabalhador, que aplaudiu o golpe! Imbecil.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2017
Generalizações
As redes sociais ajudaram a proliferar categorias genéricas que não dizem nada. Nenhuma novidade, as pessoas sempre fizeram isso. Falamos "os brasileiros", "os americanos", "os japoneses", "os alemães", como se todos os cidadãos destes países fossem iguais, pensassem igual. Mas creio que a principal categoria genérica de hoje é a dos "petistas". Sempre que alguém quer criticar algo na política, na direita e na esquerda, surge a categoria. Criticou o desmonte da constituição promovido pela ação do Moro? Petista! Elogiou o governo Lula? Petista! Pediu #ForaTemer? Petista! Falou em golpe? Petista! Daqueles identificados com a direita mais furiosa não se espera outra coisa mesmo além disso. Mas o interessante é o discurso que circula nas esquerdas. Toda hora aparece alguém para afirmar que "os petistas" precisam parar de acreditar que o PT não fez nada de errado. Que a esquerda precisa se libertar do PT. Que após cada crítica feita ao atual governo ilegítimo precisa afirmar que "não é petista", já assumindo que a expressão assumiu carácter generalizante de algo ruim... Interessante. Não conheço nenhum petista ou simpatizante, do meu círculo, que não seja crítico do que aconteceu no PT nas últimas décadas. Que não veja com tristeza nomes ligados ao partido, muitas vezes nomes obscuros para a grande maioria dos militantes, envolvidos em denúncias diversas. Que não tenham se decepcionado com certas decisões do partido. Mas para quê saber disso! Melhor fazer como a direita e generalizar. Ou então falam para a pessoa abandonar, partir para outra... Interessante que isso tudo vem acompanhado de uma crítica bem pouco reflexiva sobre a questão da política de coalizão. É evidente que existem problemas em tal modelo, mas são problemas sempre presentes na política, em qualquer sistema político! E qual é alternativa oferecida? Na direita ressurge dos esgotos o discurso da ditadura, do eu mando, eu bato, eu mato. Em setores da esquerda um purismo ideológico que imagina que vamos conseguir passar para algum tipo de comunitarismo de assembleia... E o diálogo, o respeito ao diverso, a busca de entendimento em meio às diferenças não é justamente a formação de coalizões? A corrupção como fenômeno social transcende os modelos de governo, pois pode e está presente em qualquer lugar. É verdade que o PT precisa se recriar, mas não é menos verdadeiro isto para todos os demais partidos de esquerda, para todos que estão indignados com o desmonte de direitos tão duramente conquistados. Tempo de recriarmos a nós mesmos e retomarmos, em todos os espaços, o que nos foi roubado.
terça-feira, 31 de janeiro de 2017
Nas paredes
Em toda a história, toda mesmo, desde que o homem começou a se expressar, ele pinta paredes. Nas cavernas. Em Roma, no coliseu, os gladiadores escreviam nas paredes seus recados aos poderosos... Nas ruas da França da Revolução. Em todas as guerras mundiais. Em toda trajetória do movimento operário. Nem toda pixação é um ato aleatório de destruição do espaço público. Ela é também uma forma de manifestação, de setores populares tomarem o espaço público com seu recado. Uma forma de se expressar quando tudo falha. Mas aqui no Brasil juntamos tudo num pacote bipolar: grafite é bom/pixação é ruim. Como se toda pixação fosse a mesma coisa. Como se a arte fosse limitada à uma forma única de se expressar. E dá-lhe tinta em tudo. Como se o cinza do Doria também não fosse uma forma de expressão do autoritarismo da atual prefeitura de São Paulo. Por que cinza? Por que não várias cores? É...
domingo, 15 de janeiro de 2017
Ao invés...
Ao invés de combater a corrupção o Brasil optou por acabar com as estatais, ao invés de uma reforma política o Brasil optou pelo autoritarismo, ao invés de acabar com o corporativismo o Brasil optou por acabar com os funcionários públicos, ao invés de investir em Pesquisa e educação o Brasil optou por acabar com as universidades públicas, ao invés de taxar as grandes fortunas o Brasil optou por acabar com direitos dos mais pobres... Era sobre tudo isso e muito mais que estávamos falando quando as panelas soaram e os patos dançaram nas ruas, deixando todos surdos à razão e abertos para o fascismo fácil e burro dos Bolsonaros.
terça-feira, 11 de outubro de 2016
Recado das urnas...
A primeira coisa que comentei com meus alunos quando as manifestações de junho de 2013 ocorreram foi o seguinte: o número de pessoas nas ruas não era representativo da população brasileira. Na estimativa mais otimista, daquelas pseudo lideranças, tivemos 2 milhões de pessoas nas ruas em todo Brasil. É muito quando se olha o número isolado. Um nada se lembramos que já somos mais de 200 milhões de brasileiros. Um porcento da população nas ruas não é uma revolução. Revolução foi de fato no Egito, que em uma população de 80 milhões de pessoas colocaram cerca de 17 milhões nas ruas. Aqui não era nada tão grandioso. Mas a mídia tornou grandioso. As redes sociais ferveram. Tudo estimulando a falsa sensação de que algo estava mudando. Não estava. Não estou julgando a boa vontade de quem foi para as ruas, mas as manifestações eram mais importantes como um possível início de algo que não ocorreu. E parece que não vai ocorrer. Em 2013 as esquerdas tiveram uma oportunidade que não abraçaram. A direita e a oposição golpista (PMDB-DEM-PSDB... ) usaram bem. Tão bem que estão no poder agora.
2013 foi utilizado como um evento de destruição do PT e do governo Dilma pelos donos do poder de sempre. Qual era o interesse da Globo em cobrir as manifestações? Qual era o interesse da Globo em continuar cobrindo qualquer manifestação contra o governo Dilma e o PT, mesmo quando só se reuniam 20 pessoas com faixas fazendo dancinha? A Globo ajudou a estabelecer o discurso da crise, e o que já era um problema tomou dimensão maior. O Congresso não votou nada. Agora o mesmo Congresso vota tudo. O Judiciário focou no PT e assim continua, com juízes que recebem prêmios e jantares de lideranças do PSDB... Parte das esquerdas, com críticas corretas ao PT, decidiu que era melhor deixar o PT apanhar. Só que não contavam que o ódio ao PT também é medo das esquerdas...
Nesse meio tempo veio uma reforma eleitoral. Sorrateira, com o dedo do Cunha. Primeiro veio o fim do financiamento de empresas. Tudo bem. Mas não regularam o uso do capital privado, de pessoas físicas, então candidatos ricos, com mais dinheiro, puderam fazer uma campanha mais rica. O candidato com dinheiro podia gastar quanto quisesse de seu próprio capital desde que previsto nas contas da campanha. E quem são os candidatos ricos? Os velhos políticos de sempre, inclusive alguns que se dizem novos mas sempre apoiaram os velhos... Os novos? Os que podiam representar uma mudança de rumo? Não tinham dinheiro e não foram eleitos. Pelo menos na maior parte dos casos. Outra mudança esperta foi a obrigatoriedade dos candidatos atingirem pelo menos 10% do coeficiente eleitoral para serem eleitos. Novamente pequenos e novos candidatos, alguns até conhecidos, foram atingidos. Quais são os candidatos conhecidos, que recebem votos diretos? Repito: Os velhos políticos de sempre, inclusive alguns que se dizem novos mas sempre apoiaram os velhos... Qual número será lembrado? Do candidato que não teve recursos de propaganda ou do que gastou uma pequena fortuna? Para participar de debates na televisão o partido deve ter no mínimo 9 deputados eleitos. Mais uma pancada nos pequenos. Agora falam em reforma política, reduzindo o número de partidos por decreto... Só querem que restem os grandes, mas excluindo o PT, que querem exterminar. E qual é o motivo? O PSDB já deixou claro: querem o parlamentarismo. E um parlamentarismo com poucos partidos. Daí o povão vai poder continuar votando em quem quiser, não vai importar.
O resultado das eleições municipais, com o avanço de partidos do golpe e da direita somente confirma que 2013 não representou uma mudança para melhor, mas o retorno dos conservadores de sempre, que de fato nunca saíram do poder. Lembram que eles também estavam nas ruas? Batendo em quem vestia vermelho ou camiseta de partido? E as esquerdas? Seguem sem rumo.
quinta-feira, 14 de julho de 2016
Perdemos todos
Na votação de ontem perdemos todos. Todos os que trabalham, recebem salário, tentam estudar, querem se aposentar. Todos que vão sofrer com o assassinato da CLT. A esquerda provou que é seu maior inimigo. Que preferem crescer individualmente. Se a direita sacrifica o povo pelo capital a esquerda o deixa ser sacrificado em nome de uma suposta defesa de princípios abstratos e variados. Triste. O desconhecimento é a norma. Algum tempo atrás circulou vídeo de debate entre a presidente da UNE, Carina Vitral, e o escroque Kim Kataguiri, do MBL. Muitos elogiaram como ela destruiu o sujeito. De fato. Porém ela também revelou um profundo desconhecimento das teorias que a inspiram. Ele não sabia nada, mas não era papel dele saber já que é golpista e pseudo liberal. Fui ver a entrevista esperando articulação teoria e prática e não encontrei, de lado nenhum. Claro que no final ela foi melhor, mas em função principalmente das profundas limitações do antagonista. E como é possível perdermos para tais golpistas? Pois é. Ontem perdemos novamente. O eleito afirmou em entrevista que sua vitória não representava uma derrota de Cunha. O Judiciário tem simpatias e afinidades explícitas com o PSDB. O presidente da Câmara é do DEM. O do Senado do PMDB, assim como o golpista na presidência da República. E todos agradeceram ao PSDB pelo apoio. É. Parabéns para a esquerda, que conseguiu ficar de fora completamente, no canto, chamada explicitamente de minoria, ainda que deseje ser a defensora da maioria da população.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
Crise e mérito
A Malwee fechou uma unidade em Blumenau e demitiu 300 funcionários. Como já virou rotina colocaram a culpa na crise. Mas o interessante é ninguém ter lembrado dos últimos anos da empresa. Em 2011 a empresa passou de pai para filho. O herdeiro assumiu a presidência e realizou o plano de abrir lojas de varejo da marca. Estilo Hering. Naquele ano a empresa havia crescido 22% e projetava crescer 25% em 2012. O que houve? Tudo culpa da Dilma? Na mentalidade tacanha dos nossos falsos liberais parece que sim. A unidade de Blumenau representava 3% da produção da empresa. Então já começamos vendo que a empresa cresceu pelo menos perto de 40% alguns anos atrás e agora encolheu 3%. Quando cresceu não deve ter dado um aumento proporcional de salários aos seus funcionários, mas quando encolheu demitiu. Existem funcionários falando de má gestão e de mudanças de sistema na empresa que geraram atrasos e cancelamentos de pedidos. Eu lembro quando a Malwee era uma marca de roupas de boa qualidade, característica que não se manteve, pelo menos não em todas as linhas da empresa. O setor têxtil é altamente competitivo, com muitas empresas nacionais e internacionais, disputando o mesmo mercado. As pessoas não pararam de comprar roupa. Ninguém está andando pelado. O mercado saturou de ofertas de roupas de baixa e média qualidade, que não vão mais, como antigamente, ficar para os irmãos mais novos... Elas não duram tanto, viram pano de chão. Com essa realidade o consumidor opta pelo mais barato mesmo. Quem pode pagar consome outras marcas. Mas é tudo culpa do PT e da Dilma... Crescimento econômico sempre vem acompanhado de aumento de competitividade. E diante do quanto a empresa cresceu antes essa notícia incomoda. Pois ninguém falou sobre os lucros. Na seguinte linha. Uma pessoa abre uma empresa para ganhar dinheiro. Então ela precisa ganhar dinheiro para manter a empresa e dinheiro para se manter. O lucro começa depois que a empresa ganha o necessário para se manter. Esse lucro não é todo investido na empresa. Ele vai para uma conta do dono (de seus sócios e acionistas se houverem), provavelmente em outro país, onde será aplicado no mercado financeiro buscando outros rendimentos. É o dinheiro dele. O pagamento que recebe de sua própria empresa. Não vejo acontecer com essas grandes empresas o discurso de vamos empregar os recursos de nossos lucros para manter os empregos e melhorar a situação. Mas vemos a ostentação permanente. Eike Batista entrou em decadência e ainda tivemos noticias de seu filho comprando carros importados de mais de um milhão de reais... Há um capital que fica com os proprietários e que não volta para a empresa e nem para o mercado nacional. No discurso sobre a crise todo empresário aparece como empreendedor e competente sofrendo diante do Estado incompetente... O sucesso da empresa é mérito pessoal, o fracasso é culpa dos outros. Nada de novo no discurso do capital que segue gerando suas crises estruturais que sacrificam os pequenos para assegurar o conforto daquela minoria.